sexta-feira, 14 de agosto de 2009

13/08

Não sabia até onde meus joelhos aguentariam, vendo aquele rosto vingativo buscando meus olhos. Pensei que sentiria uma vertigem, podia ter desmaiado como sempre, - qualquer coisa - mas para minha infelicidade minha consciência ficou mais ligada ainda, e lembrei que a bateria do meu celular estava caída para um lado e a tampinha para outro naquele chão cheio de pedrinhas. E tive que me abaixar para ajuntar as 'peçinhas' do meu tijolo. Já era ruim ser uns 30 cm mais baixa que ele, mas ficar agachada perante aqueles 1.85 de altura era humilhante. Mas tive que fazê-lo, recolhi rapidamente a bateria e o celular, sem olhar pra cima e tentei montá-lo de volta na subida. Procurei uma forma de não enxergar aquilo, não parecia fazer sentido. Meus olhos captavam a imagem, mas meu cérebro não processava. Era, uma ilusão, não podia ser real, ele não podia estar ali... Podia?
- Posso falar com você? - ele cuspiu.
Era como se houvesse um enorme vazio dentro de mim, ao ouvir aquela voz sem emoção. Algo apertava minha garganta, como uma mão segurando minha passagem respiratória. Tentei o máximo que pude não tremer e me manter erguida, mas meus joelhos não correspondiam a minha autoridade. Eles insistiam em me desobedecer e faziam questão de balançar minhas pernas, sutil mais perceptivamente.
Ele alargou um sorriso forçado para mim. Eu sabia porque ele estava ali. Mais não conseguia acreditar. Estava mais lindo do que nunca, o cabelo levemente bagunçado com gel. Usava aquele perfume que eu havia dado no dia dos namorados. Vestia uma regata mostrando seu bíceps tão bem torneado, aonde o sol batia em sua pele bronzeada. Segurava um pedaçinho de ouro nas mãos. Era o anel. Aquele anel.
- Estou com pressa. Hoje não, Diego. - tentei não olhar para seus olhos.
- É rápido, prometo. - respondeu mais seco do que eu esperava.
Gabriella me olhava com uma felicidade imensa nos olhos. Inocentemente Gaby, esperava que voltássemos. Ela não sabia nem um terço de tudo que estava acontecendo entre nós, por isso insistia na nossa 'felicidade conjunta'.
Tentei fingir que estava entediada, distraida. Mas não estava tão confiante como na última vez que conversamos. Pensei que aquela seria a ultima vez que teria que enfrentá-lo, mas não era. Ele estava ali de novo. Quem sabe agora seria a ultima vez? Tentei manter o olhar baixo em meus joelhos que bambeavam cada vez mais.
- Pode falar - tentei ser o mais breve possível erguendo a cabeça.
- Antes de qualquer coisa... - ele suspirou procurando meus olhos - Só queria dizer que sempre te amei e que não era pra ser ...
- Deixe de ser ridículo Diego. - respondi nervosa - Se quiser conversar comigo, seja rápido e direto, tenho mais o que fazer...
- Você quem sabe, Laura. - ele respondeu num disparo, antes mesmo que eu pudesse colocar as reticências na minha frase. - Eu só vim mesmo pra te devolver isso. - ele balançou o anel com a mão abaixada na altura de meu rosto para que meus olhos pudessem alcançá-lo. Ele parecia crescer um centimetro a cada vez que o via. Estava alto de mais.
- Tudo bem então. - engoli a seco - Só isso?
Levantei as mãos para pegar o anel dos dedos dele, mais ele segurou minha mão com força e a colocou em seu peito.
- Quando você vai parar de me deixar assim? - ele perguntou levantando a sobrancelha esquerda e abrindo um sorriso malicioso. Se esgueirou para perto de mim e consguindo quebrar o clima tenso que estava entre nós
. Já estava me hipnotizando, quando ele continou - Nunca?
Mas soltei bruscamente minha mão da dele, (acordando da hipnose) para não cair naquele efeito que ele produzia em meus batimentos cardíacos. E ordenei que eles parassem de bater no ritmo de uma escola de samba.
- O que você quer afinal, Diego? - E o anel se deixou escapar por entre nossos dedos e rolou um pouco pela rua e o seguimos com o olhar. Até que ele fez um circulo parou e caiu. Me apressei para pega-lo, mas ele me segurou pelo punho e nesse mesmo instante um carro passou apresado bem em cima do dourado do anel, numa velocidade incrivel.
- Você nunca presta atenção em nada. É muito desatenta. - e soltou minha mão com força.
Olhei furiosa nos olhos dele, odiava aquelas mudanças subotas de humor que ele tinha. Respirei o mais fundo que pude, fechei os olhos e assim que a lágrima caiu, virei o rosto para traz e tentei escapar de novo. Mas ele me segurou mais uma vez. Respirou fundo e revelou o que vinha tentando me dizer a dias.
- Olha Laura, - ele olhou fixamente no chão sem levantar a cabeça - eu já estou namorando.

Entendi o que queria dizer a expressão 'o chão desaparer dos pés'. Pensei que fosse ficar tonta, mas a última coisa que faria era perder a pose na frente dele. Expulsei todos os sinais de tontura do meu corpo e ordenei que ficaria de pé. E sem bambear as pernas. Levantei a cabeça e só faltei ficar na ponta dos pés para encara-lo.
- Sério? *-* E por que você não me conta os detalhes mais sórdidos, Dih? - sabia que ele odiava meu lado cínico. Sorri quando vi que isso o decepcionou. Então ele respirou fundo e para não se estressar tentou entrar no meu jogo.
- Bom - sorriu para minhas pernas que pararam de tremer - Já conhecia ela a um tempo, e estava muito afim de ficar com ela. Isso a um bom tempo também - fez questão de acentuar, grifar (me fazer entender bem) todas as últimas palavras e ficou muito satisfeito quando percebeu minha cara de reprovação e sem olhar no meu rosto continuou - Pedi um tempo com a minha namorada para ficar com ela. Mas ela foi mais esperta. Percebeu que tinha uma mulher no meio da história e terminou comigo antes que eu a traísse. - bufei, soltando meu pulso de sua mão mais bruta do que da ultima vez.
- Não diga? - segurei o choro - Que bom para você! Agora você ficará bem mais feliz - tentei ser o mais forte possível, mais minha voz já estava embriagada pelo choro que subia dentro de meu peito.

- Sim, ela é muito mais legal, inteligente, bonita. É melhor que minha ex em tudo. - ele sorriu o mais sarcástico possível deixando de olhar para baixo e encarando um carro que descia a rua com muita pressa - E o melhor, Laurinha - maldito diminutivo - ela não é virgem, - sussurrou - vai me dar todos os prazeres que minha namorada não me deu.
Espremi os olhos em seu rosto, e voltei a encarar o chão derrotada, sabendo que dessa vez mesmo se eu buscasse no mais fundo de minha intima autoridade corporal, não encontraria nenhuma forma para que minhas penas não tremessem dessa vez, muito menos uma resposta ao alcance maldoso da que ele me derá. Com apenas uma frase ele acabara comigo. Descera de mais o nível. Não estava mesmo esperando por essa.
- Parabéns, Diego - respondi depois de um tempo - Fico muito... Feliz por você... - limpei a gota que escorreu pela minha bochecha.
- Não é o máximo? - ainda olhava para rua distraido - Pena que não precisava ser assim eu amava tanto minha namorada, mas ela vivia dizendo que agente nunca ia dar certo e... - derrepente focou os olhos em mim, e num subito como se despertasse, percebeu o que fez. Olhou meu rosto e viu minha fraqueza. No mesmo instante parou de brincar - se é que realmente estava brincando - Onde estava meu cinismo, minha autoridade, minha força agora, quando mais precisava dela?
Me virei bruscamente para pegar aquele maldito anel, quando percebi que ele iria enxugar minhas lágrimas, mas ele me segurou mais uma vez. Só que agora nos meus dois pulsos. Foi um movimento tão brusco e rápido que cambaleei e quase cai se ele não tivesse me puxado para cima.
- Laura. - ele soltou a mão direita de um dos meus pulsos e colocou em minha costas, esfregou a mão levemente em minha coluna, e me ergueu em um só movimento. Tentei olhar para ele mais estava furiosa e nem conseguia levantar os olhos. Mas ele puxou meu rosto e virou para ele. E ficamos nos olhando, não sei por quanto tempo. Em silêncio. E aquele maldito brilho nos olhos vermelhos dele voltou com as lágrimas beirando o lado direito de seu olho desafiando a lei da gravidade. Ainda iria descobrir como ele fazia aquilo.
- Por favor, me solta. - eu não tinha mais nenhum controle sob meus dutos lacrimais, eles jorravam água, nesse ponto da conversa. E aos soluços tentei me soltar dele. Fiz tanta força que consegui.
E corri. Corri sem olhar para os lados e atravessei aquela rua tentando pegar o anel, caído no chão. Não sentia mais nada dentro do peito. Nem o chão estava sentindo ainda. Apenas corri com aquele vazio. Um vazio, que de milésimo de segundo em milésimo de segundo era preenchido por um pranto que me fazia soluçar. Como ele podia ter falado aquilo para mim, com tanta audácia? Com tanta coragem? O anel parecia estar cada vez mais longe. Corria para alcançá-lo, mas parecia que nunca chegava mais perto. Estava enlouquecida, transbordando de mil sentimentos que talvez até eu desconhecesse. Havia de tudo em minha cabeça. Mas nada em meu peito. Apenas o vazio. Um nada. Um nada que incomodava profundamente.
Pensei ter ouvido a voz dele gritando meu nome, mas talvez esse vazio bloqueava até os meus sentidos. E pensei que fosse coisa da minha cabeça. Ao chegar ao ponto onde o anel estava caído me abaixei para pega-lo. Estava tão inconsciente que não havia notado um vento chegando atrás de mim. Não estava tão frio. Mas antes de pensar sobre o clima do dia, senti a presença de algo incrivelmente rápido deslizando na rua nchegando em minhas costas.
Foi tudo muito rápido e quando me virei jurei a mim mesma que era tarde de mais. O barulho agudo da buzina estava tão próximo que podia ter me ensurdecido. Nunca havia visto um pára-choque em movimento tão perto do meu nariz. E provavelmente seria a ultima vez que veria...


(continue) ;*

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

10/08

Eu não queria ir embora para casa, se dependesse de mim ia dormir na escola. Resolvi ficar fazendo hora na quadra, sentada sozinha ouvindo aquela música que eu devia ter tirado do meu celular a muito tempo, mais ainda não conseguia. Já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha ouvido, talvez já até tinha decorado o som do baixo tocando no fundo, e dos outros instrumentos mais distantes e insignificantes, que talvez só uma pessoa que se concentrasse muito no som pudesse ouvir.
O meu ouvido já estava dolorido, com aquele fone que já estava tanto tempo na mesma posição, quando ouvi alguém me chamar, fingi que não estava ouvindo e abaixei a cabeça entre os joelhos, para abafar o som do meu nome sendo gritado por aquela voz aguda, que para minha infelicidade estava se aproximando.
- Tem uma pessoa lá fora muito afim de falar com você, Laah. Vai levanta daí. - Gritou ela, cutucando meu ombro. - E outra, você precisa ir embora. Já esta ai á horas com esse fone, vamos!
Não queria ir embora pra casa. Quando chegasse lá a primeira coisa que ia fazer, era tomar banho e chorar, sem saber se a água que molhava meu rosto caia do chuveiro, ou dos meus olhos.
- Vamô, Laurinhaa! *-*
Odiava quando ela me chamava com esse diminutivo. Quem era o idiota lá fora afim de me ver? Ele que não podia ser... Passei pela quadra enrolando o fio do fone entre os dedos, sendo arrastada pela Gaby, e tentando lembrar da tarde passada, tentando entender porque havia sido tão grossa com ele, e agido com tanta indiferença daquele jeito. Ele pediu por favor, ele havia me pedido por favor. Nunca o vi tão submisso a mim como ontem. Os olhos marejando de lágrimas e vermelhos, mais sendo forte, sem deixar nenhum momento que elas transbordassem, - queria saber como ele fazia isso - pedindo para que pelo menos eu pensasse no caso, prometendo que seria diferente.

- Laah, nós dois sabemos que não precisa ser assim, eu te amo. Você sabe que eu só quero você e mais ninguém. - ele bufou, vendo minha indiferença - Dá pra você pelo menos olhar pra mim, por favor? - Ele sussurrou, um pouco nervoso, procurando meus olhos, que estavam focados em uma pedrinha no chão. - Eu te amo, e você sabe disso, eu só queria um tempo pra pensar, estava de cabeça quente, cheio de tudo, da minha mãe, do meu pai, do trabalho...
- E cheio de mim, para de mentir - Falei um pouco alto de mais e tentei abaixar o tom - Cheio de estar comigo, de estar namorando. - Levantei os olhos para um galho acima de nós, na esperança de que a lágrima não caísse
- Lah, presta atenção. - Ele pegou minha mão sem perceber que ela tremia, em meus joelhos - Eu quero voltar tá... É isso que você quer ouvir? Eu quero voltar sim! Estou te pedindo pra
voltar, para de frescura...
- Mais eu não quero, Diego. Por favor me deixe em paz e começa a cair na real. - puxei bruscamente minhas mãos das dele.
Ele se surprendeu com o meu tom de raiva.
- Você tem certeza, amor? - disse ele confuso, olhando pra mim.
- Tenho. - respondi com mais coragem do que imaginei que tinha - Certeza absoluta
- Laura, - ele suspirou assustado - você não tem motivos pra isso, não tem mulher na minha vida só você, eu só quero você... - ele tinha medo na voz
- Diego, - olhei fixamente em seus olhos - Se eu acreditasse em você diria para começar a procurar 'outras' mulheres para você colocar na sua vida, - a sobrancelha esquerda dele se levantou - porque eu não quero mais nada com você, e seria muito bom se você parasse de me chamar de 'amor' de 'vida'. E começar a me tratar como sua ex, porque é isso que eu sou sua agora, apenas isso.
Os olhos deles não tinham mais brilho de nenhuma lágrima, agora estavam vermelhos e sem vida.
- E eu preciso ir embora. -disse com uma indiferença que surpreendeu até a mim mesma.
Ele soltou minha mão.
- Tudo bem, Lah. - tomando coragem e erguendo a cabeça - Se você quer assim, vou viver como um solteiro agora, esta bem? - ele tentou pela ultima vez, confiante de que agora daria certo e dando ênfase ao final da pergunta - Vou pegar todas, você que terminou. Não é assim?
- Ótimo. Assim será melhor pra nós dois.
Ele ficou desconsertado ao me ver virando as costas, não podia ver, mais podia sentir.

Não acreditava que o havia tratado com tanto desprezo. Eu nunca havia feito isso, com ninguém. Mais precisava agir. De alguma forma, para que dessa vez desse certo e para que ele entendesse de uma vez por todas que eu havia cansado de sofrer. E que dessa vez não haveria mais 'voltas' nem 'recaídas'
Agora eu tinha certeza, ele nunca mais iria me procurar. Ele era absurdamente orgulhoso. Nem se ele fosse obrigado a vir atráz de mim sob tortura, ele jamais viria. Provavelmente se me visse na rua passaria do outro lado. Ele nunca foi desprezado desse jeito como fiz nunca. Ele não precisava correr atraz de ninguém, a única pessoa que ele poderia pensar no caso de correr atraz seria eu, e quando pela primeira vez ele o fez, foi tratado dessa forma. Era uma ofensa a ele, um absurdo sem desculpa.

Estava tão entorpecida com essas lembranças que não notei que já havíamos chegado no portão, em tão pouco tempo.

Escutei o barulho do meu celular caindo no chão quando vi quem estava me esperando.

(continua)

domingo, 9 de agosto de 2009

09/08

Hoje ele não deu noticias, não o vi on-line nem de manhã, nem de tarde, então resolvi não entrar a noite. É como se eu tivesse consciência de que se continuar me preocupando com ele, não vou conseguir esquecê-lo tão cedo. Ele pode ter sumido de propósito para me deixar com saudade, ou simplesmente passou o dia fora e esqueceu que tem uma... Uma o que?! Fala sério eu tive que terminar umas cinco vezes ontem pra ele entender o que eu realmente queria. Ele ficava me perguntando se eu tinha certeza, que não precisava ser daquele jeito, que poderíamos resolver essa 'fase' juntos. É tão patético ouvir isso dele, que chega a me dar repulsa, só de lembrar daqueles olhos cheios de mentira e pena me focando. Às vezes tentava disfarçar olhando pros lados, mais continuava com aquele sorriso nos lábios pronunciando um ‘eu te amo' tão sincero que quase me convenceu. O mais triste é saber que eu fico tentando acreditar nessa coisa que ele chama de amor. Tudo bem. Não serei dramática a ponto de dizer que ele não sente nada por mim, eu tenho plena convicção de que sente. Só não tenho mais tanta certeza do que possa ser. E isso é frustrante.
Mas sei o que ele quer, ouso dizer inclusive que até sei o que anda pensando, e não é preciso ser vidente pra adivinhar. Ele está comigo há oito meses, estuda na mesma sala que eu – sala de 15 pessoas – nos vemos todas as manhãs e quase todas as tardes, isso tudo fora os dias em que vamos para casa juntos. E do dia pra noite é chegada a noticia: ele tem que sair da escola, - em pleno Agosto - e ir para outra estadual (a noite) logo irá conhecer pessoas novas, lugares diferentes, receber uns convites pra sair com algumas, e fumar um narguis. Tomar uma tequila talvez, dançar um psy e mais umas mil coisas que um adolescente solteiro e idiota faria. Então, por quê! Por qual maldito motivo, razão ou circunstancia ele entraria nesse ‘mundo novo’ compromissado? Por quê? Alias pra que? Pra recusar todos esses convites? Ou ele pode até aceita-los, sair com elas, mas não poderia curtir inteiramente o passeio.
O mais difícil pra mim é saber que sei o que ele quer, ele não vai querer entrar nessa escola namorando. Namorando com uma patricinha mimada e ciumenta, - sei que é essa a visão completamente equivocada que ele tem de mim - de uma escola particular. Ele sabe as oportunidades que perderia se entrasse lá anunciando isso pra todo mundo que perguntasse seu 'estado civil'.
Esse texto não era pra ser uma crônica engraçadinha de adolescente, mas não sei se consigo fazer nada melhor hoje à noite. São 12:58 e amanhã preciso acordar 6:30. Ótimo, tenho cinco horas e meia para tentar dormir e tentar enfiar na minha cabeça de uma vez por todas que tenho que esquecê-lo. Ultimamente ando incrivelmente emocional. Tenho mil motivos para me convencer de que tenho sido um estorvo. Um empecilho para que ele não possa entrar com liberdade total nesse mundinho novo que o espera, e tenho mil e um para acreditar que ele não sente a mesma coisa por mim. Que esta cansado. Que enjoou. O único problema é que ele não quer me falar isso de jeito nenhum. Não quer me contar que esta com duvida entre mim e o passaporte da liberdade. Não quer admitir que esta confuso. Mas eu sei que esta, sei de verdade o quanto esta. Só queria que ele me contasse. Mais ele insiste em permanecer calado. Quando não, diz que me ama imensamente e que fui uma das melhores coisas que aconteceram em sua vida. Com aqueles olhos vermelhos, brilhando. Queria descobrir como ele fazia para que brotassem lágrimas naqueles olhos, lágrimas falsas. Mas acima de tudo queria saber se seus olhos estavam vermelhos de medo de me perder, ou de raiva por não estar solteiro ainda. Mas ele não falava nada. Apenas insistia. É como se ele estivesse tentando me provar que “ainda” me ama... Tentando me provar que não valia a pena acabar tudo assim. Mas isso não combina com ele, isso não é de sua personalidade. Ele só consegue me confundir mais ainda... Não sei mais o que pensar disso tudo, realmente não sei.