segunda-feira, 10 de agosto de 2009

10/08

Eu não queria ir embora para casa, se dependesse de mim ia dormir na escola. Resolvi ficar fazendo hora na quadra, sentada sozinha ouvindo aquela música que eu devia ter tirado do meu celular a muito tempo, mais ainda não conseguia. Já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha ouvido, talvez já até tinha decorado o som do baixo tocando no fundo, e dos outros instrumentos mais distantes e insignificantes, que talvez só uma pessoa que se concentrasse muito no som pudesse ouvir.
O meu ouvido já estava dolorido, com aquele fone que já estava tanto tempo na mesma posição, quando ouvi alguém me chamar, fingi que não estava ouvindo e abaixei a cabeça entre os joelhos, para abafar o som do meu nome sendo gritado por aquela voz aguda, que para minha infelicidade estava se aproximando.
- Tem uma pessoa lá fora muito afim de falar com você, Laah. Vai levanta daí. - Gritou ela, cutucando meu ombro. - E outra, você precisa ir embora. Já esta ai á horas com esse fone, vamos!
Não queria ir embora pra casa. Quando chegasse lá a primeira coisa que ia fazer, era tomar banho e chorar, sem saber se a água que molhava meu rosto caia do chuveiro, ou dos meus olhos.
- Vamô, Laurinhaa! *-*
Odiava quando ela me chamava com esse diminutivo. Quem era o idiota lá fora afim de me ver? Ele que não podia ser... Passei pela quadra enrolando o fio do fone entre os dedos, sendo arrastada pela Gaby, e tentando lembrar da tarde passada, tentando entender porque havia sido tão grossa com ele, e agido com tanta indiferença daquele jeito. Ele pediu por favor, ele havia me pedido por favor. Nunca o vi tão submisso a mim como ontem. Os olhos marejando de lágrimas e vermelhos, mais sendo forte, sem deixar nenhum momento que elas transbordassem, - queria saber como ele fazia isso - pedindo para que pelo menos eu pensasse no caso, prometendo que seria diferente.

- Laah, nós dois sabemos que não precisa ser assim, eu te amo. Você sabe que eu só quero você e mais ninguém. - ele bufou, vendo minha indiferença - Dá pra você pelo menos olhar pra mim, por favor? - Ele sussurrou, um pouco nervoso, procurando meus olhos, que estavam focados em uma pedrinha no chão. - Eu te amo, e você sabe disso, eu só queria um tempo pra pensar, estava de cabeça quente, cheio de tudo, da minha mãe, do meu pai, do trabalho...
- E cheio de mim, para de mentir - Falei um pouco alto de mais e tentei abaixar o tom - Cheio de estar comigo, de estar namorando. - Levantei os olhos para um galho acima de nós, na esperança de que a lágrima não caísse
- Lah, presta atenção. - Ele pegou minha mão sem perceber que ela tremia, em meus joelhos - Eu quero voltar tá... É isso que você quer ouvir? Eu quero voltar sim! Estou te pedindo pra
voltar, para de frescura...
- Mais eu não quero, Diego. Por favor me deixe em paz e começa a cair na real. - puxei bruscamente minhas mãos das dele.
Ele se surprendeu com o meu tom de raiva.
- Você tem certeza, amor? - disse ele confuso, olhando pra mim.
- Tenho. - respondi com mais coragem do que imaginei que tinha - Certeza absoluta
- Laura, - ele suspirou assustado - você não tem motivos pra isso, não tem mulher na minha vida só você, eu só quero você... - ele tinha medo na voz
- Diego, - olhei fixamente em seus olhos - Se eu acreditasse em você diria para começar a procurar 'outras' mulheres para você colocar na sua vida, - a sobrancelha esquerda dele se levantou - porque eu não quero mais nada com você, e seria muito bom se você parasse de me chamar de 'amor' de 'vida'. E começar a me tratar como sua ex, porque é isso que eu sou sua agora, apenas isso.
Os olhos deles não tinham mais brilho de nenhuma lágrima, agora estavam vermelhos e sem vida.
- E eu preciso ir embora. -disse com uma indiferença que surpreendeu até a mim mesma.
Ele soltou minha mão.
- Tudo bem, Lah. - tomando coragem e erguendo a cabeça - Se você quer assim, vou viver como um solteiro agora, esta bem? - ele tentou pela ultima vez, confiante de que agora daria certo e dando ênfase ao final da pergunta - Vou pegar todas, você que terminou. Não é assim?
- Ótimo. Assim será melhor pra nós dois.
Ele ficou desconsertado ao me ver virando as costas, não podia ver, mais podia sentir.

Não acreditava que o havia tratado com tanto desprezo. Eu nunca havia feito isso, com ninguém. Mais precisava agir. De alguma forma, para que dessa vez desse certo e para que ele entendesse de uma vez por todas que eu havia cansado de sofrer. E que dessa vez não haveria mais 'voltas' nem 'recaídas'
Agora eu tinha certeza, ele nunca mais iria me procurar. Ele era absurdamente orgulhoso. Nem se ele fosse obrigado a vir atráz de mim sob tortura, ele jamais viria. Provavelmente se me visse na rua passaria do outro lado. Ele nunca foi desprezado desse jeito como fiz nunca. Ele não precisava correr atraz de ninguém, a única pessoa que ele poderia pensar no caso de correr atraz seria eu, e quando pela primeira vez ele o fez, foi tratado dessa forma. Era uma ofensa a ele, um absurdo sem desculpa.

Estava tão entorpecida com essas lembranças que não notei que já havíamos chegado no portão, em tão pouco tempo.

Escutei o barulho do meu celular caindo no chão quando vi quem estava me esperando.

(continua)

1 Comentários:

Blogger Yamahisa Misaki Aoki Yuu disse...

Continua logo >.< tah muito bom =D

13 de agosto de 2009 às 17:28  

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